Capítulo 4: Comer a Fruta Oferecida — Estarei Eu Realmente Possuído?

Petikan Peti Sang Jelita, Memperistri Mayat, Menyeimbangkan Yin dan Yang Tuan Agung Bintang Malam 3031字 2026-03-14 14:45:57

Os aldeões, ao escutarem aquilo, logo sentiram um calafrio percorrer-lhes a espinha.
Ir cavar as sepulturas esquecidas na Montanha Huilong, de fato, poderia trazer fortuna e riqueza a todos.
Mas um golpe de sorte tão sinistro exige que se tenha vida longa para desfrutá-lo.
O próprio Má Cocho, ao atrair para si o espectro vingativo do túmulo antigo, condenou toda a sua família à morte mais trágica e ordenada.
Agora, em breve, chegaria a vez de Liu Sanzian.
Quem ousaria, então, profanar um túmulo?
Seria preciso desejar a própria morte.
Após tamanha tragédia, era natural que não restasse um só aldeão disposto a cobiçar as sepulturas abandonadas da Montanha Huilong.
Ninguém deixou o local; afinal, era preciso cuidar dos funerais da família de Má Cocho.
Com sua linhagem extinta e sem outros parentes, coube ao velho chefe da aldeia tomar a dianteira e organizar os ritos fúnebres.
Não tardou.
Os aldeões trouxeram do templo ancestral quatro caixões.
Logo começaram a recolher os corpos e selar as urnas mortuárias.
Ao deparar-se com Liu Sanzian, prostrado ao chão em absoluto desespero, o velho chefe aproximou-se sem hesitação.
— Não precisa me consolar, chefe — disse Liu Sanzian, com a voz embargada. — Estou tão arrasado que mal posso conter o choro.
— Eu entendo, eu entendo — assentiu o velho, lançando-lhe um olhar pesaroso e um suspiro antes de dizer: — Mas, cedo ou tarde, é preciso encarar a realidade. Sanzian, volte para casa e traga todo o dinheiro que guardou.
— Para que quer o meu dinheiro? — replicou Liu Sanzian. — São só uns míseros milhares, o enxoval que juntei ao longo dos anos para meu casamento.
— Traga mesmo assim, traga o que guardou para o enxoval — insistiu o velho, tragando o cigarro com lentidão. — Assim como disse o velho Wu, chegou a hora de prepararmos seu funeral.
Diante dessas palavras, Liu Sanzian ficou paralisado de espanto.
É verdade que ele também havia levado objetos do túmulo antigo e, talvez, naquela mesma noite, fosse vítima do espectro vingativo.
Mas, por ora, ainda estava vivo.
Restava-lhe um dia inteiro; se encontrasse um jeito de lidar com o espírito maligno, quem sabe não escapasse da morte?
Mas não!
O velho chefe, além de não lhe oferecer saída, ainda queria, com pressa, que trouxesse o dinheiro para custear o próprio funeral.
Liu Sanzian fitou-o, sentindo o fígado e o coração prestes a explodir de raiva.
— Sei que quer sobreviver, mas é preciso resignar-se ao destino — disse o chefe em tom conciliador. — Aquele é um espectro que escapou da Montanha Huilong; ninguém tem forças para enfrentá-lo. Sanzian, ouça o conselho do seu tio: não pense que ainda há esperança de salvação.
— Aproveite enquanto há tempo, entregue logo sua herança, e vá à montanha escolher um bom local de feng shui para o seu túmulo.
— Quanto ao funeral, fique tranquilo: prometo-lhe um enterro digno, à altura.
— E nos feriados, sempre mandarei alguém prestar-lhe homenagens. Sua tumba jamais ficará abandonada, sempre haverá muito papel queimado para que viva com conforto no além.
— Que lhe parece, Sanzian?
— Vá para o inferno! —
Já não suportando mais, Liu Sanzian explodiu:
— Se eu não morrer por obra do espectro, morrerei de raiva por sua causa, seu velho desgraçado!

— Ai... —
O velho chefe suspirou: — Sanzian, de que adianta lutar contra o inevitável? Ninguém poderá salvá-lo.
— Ainda não me casei, não aceito esse destino — retrucou Liu Sanzian. — Vou procurar o velho Chen Liu. Ele é nosso mestre yin-yang, certamente encontrará uma solução para mim.
Chen Liu era meu avô.
Dizendo isso, Liu Sanzian partiu, tomado de fúria.
Eu, por meu turno, já havia deixado a aldeia.
Montado em minha velha bicicleta, pedalava apressadamente rumo à cidade.
Mas, ao chegar à entrada da aldeia, avistei sete ou oito anciãs ajoelhadas na encruzilhada, queimando papel-moeda.
Algumas dispunham maçãs, outras carne de porco e outros tributos sobre o chão.
Quase todos, em algum momento, haviam profanado túmulos na Montanha Huilong; agora, após a chacina da família de Má Cocho pelo espectro, a inquietação era geral — temiam que a desgraça batesse à própria porta.
Por isso, logo ao amanhecer, todos correram ao cruzamento para prestar homenagens aos mortos.
Observei as oferendas na encruzilhada.
O aroma que delas emanava era irresistível, apetitoso como iguarias raras, e a gula me tomou de assalto, ao ponto de meus olhos brilharem de desejo.
Fiquei ali, atônito, incapaz de desviar o olhar.
Lambi os lábios, desistindo de prosseguir viagem.
Deixei a bicicleta à beira da estrada e aguardei.
Quando vi que as mulheres se dispersavam após queimarem o papel, não resisti.
Corri até lá, agarrei um pedaço de carne de porco da oferenda e, sem hesitar, dei-lhe uma grande mordida.
— Como está saborosa!
Enquanto mastigava, percebi que o aroma da carne aguçava ainda mais meu apetite, sem qualquer náusea ou desconforto.
Saboreava com genuíno deleite, quando uma lufada de vento soprou, levantando as cinzas e espalhando, pelo ar, o papel queimado.
O dinheiro dos mortos rodopiava no vazio, envolto em uma nuvem espessa de fumaça.
Olhei, abismado, para aquele espetáculo; então, meu rosto se transfigurou de pavor ao encarar o pedaço de carne já quase devorado em minhas mãos.
Por um instante, fiquei paralisado.
No segundo seguinte, meus olhos se arregalaram de terror.
Assumi uma expressão como quem vê um fantasma, joguei depressa a carne no chão.
Recuei apavorado, pisando sem querer nas velas acesas e partindo-as ao meio.
O pânico se intensificou.
Olhei ao redor, e, tomado pelo medo, corri até onde estava minha bicicleta.
Ali, curvei-me, tentando vomitar o que havia comido.
Mas a carne que devorara não queria sair.
Limpei a boca, fitando a encruzilhada ao longe, tomado por um terror gelado que me suava a fronte.
Jamais imaginara que, num impulso incontrolável, ousaria comer as oferendas destinadas aos mortos.
Afinal, aquilo era alimento para os falecidos!
— Isso é obra de forças malignas!
Respirava com dificuldade, o corpo ainda trêmulo de susto.
Desde a noite passada, eu não conseguia reter comida alguma, mas daí a comer oferendas de defunto?

Além disso,
aquela carne de porco havia sido apenas fervida em água, sem temperos, com um pouco de sal por cima.
E eu, no entanto, a devorava como se fosse manjar dos deuses, sem qualquer enjoo.
Esses pensamentos tumultuavam minha mente, revolvendo emoções como um mar em fúria.
A comida da casa me parecia intragável, causava-me náuseas.
Mas as oferendas eu comia como um faminto ressuscitado.
Maldição.
Tão estranhos sintomas não poderiam ser, como dizia meu avô, simples problemas no estômago e intestinos.
Como eu já suspeitava, era mesmo obra de forças sobrenaturais.
Certamente, ligadas ao espectro que escapara do túmulo antigo.
Agora que a família Má Cocho fora exterminada, esta noite seria minha vez ou a de Liu Sanzian.
Contudo,
meu avô sempre dissera que eu era um verdadeiro dragão reencarnado, de sangue vigoroso, e que nenhum espírito maligno se aproximaria de mim, quanto mais me causar dano.
Por que, então, teria sido enfeitiçado?
— Será que o velho já não sabe o que diz?
Quase às lágrimas, montei de novo na bicicleta e pedalei de volta à aldeia.
Estava certo: o espectro vingativo me escolhera por vítima, não era doença do estômago.
Nessas circunstâncias, de nada adiantaria procurar no hospital um remédio para o intestino.
Ao me aproximar da entrada da aldeia, deparei-me com Liu Sanzian agachado à beira da estrada, comendo uma maçã.
Mas havia, diante dele, uma pilha de papel queimado e duas velas acesas.
Estava claro:
Assim como eu, também ele se alimentava das oferendas dos mortos.
A visão me deixou atordoado, as emoções em turbilhão.
E, ao fitar a maçã vermelha e reluzente nas mãos dele, o perfume da fruta me fez salivar outra vez.
Por pouco não cedi ao impulso de arrancá-la de suas mãos.
— Isso é mesmo obra do sobrenatural!
O desejo era tão intenso que eu mesmo me assustei.
Era como se estivesse sob um feitiço, com a mente fora de controle.
E tudo isso à luz do dia.
Quando chegasse a noite, um de nós, sem dúvida, encontraria a morte.
Não havia esperança de salvação.
— Velho solteirão, recobre o juízo!
Engolindo o choque e o medo, apressei-me em advertir Liu Sanzian:
— Isso é oferenda para os mortos, não se pode comer tal coisa!