Volume I Capítulo 4: Uma simpatia por ela
Shen Chaowu fitou o olhar em Jiang Yao, e, ao ver nela uma expressão tímida e envergonhada, sorriu suavemente:
— Eu e meu noivo vamos jantar. O que foi, senhorita Jiang, deseja juntar-se a nós?
Não se sabe quais palavras atingiram o ponto sensível de Jiang Yao, mas seu rosto empalideceu subitamente.
— Eu...
Shen Chaowu, contudo, aguardava a continuação de sua fala.
Enquanto o impasse se prolongava, Shen Hanchuan decidiu de pronto:
— Não é apenas um jantar? A Yao raramente quer sair. Chaowu, leve a Yao com você, é apenas pôr mais um prato à mesa. Creio que Jin Yao não é um homem mesquinho.
Jin Yao, de fato, não era alguém de espírito mesquinho.
E para sua noiva, demonstrava uma generosidade ainda maior—
Se não fosse por Jiang Yao.
Jiang Yao sempre despertava uma piedade especial nos outros; desde que apareceu, até mesmo o olhar de seu noivo começara a se voltar para ela, e, por fim, para rebelar-se contra o matrimônio arranjado pela mãe de Jin, não hesitou em renunciar ao direito de herdeiro da família.
O que sentiria Shen Hanchuan ao descobrir que o cunhado eleito por ele, no fim, apaixonara-se por Jiang Yao?
Com um sorriso enigmático, Shen Chaowu curvou os lábios:
— Muito bem, vamos juntos. Aliás, Jin Yao ainda não conhece a senhorita Jiang, não é?
Ao ouvir que Shen Chaowu aceitara levá-la, os olhos de Jiang Yao brilharam.
Seguia atrás de Shen Chaowu com passos tímidos, mordendo o lábio em silenciosa timidez, sem negar:
— Sim! O irmão Jin Yao é meu veterano; sempre houve muitos rumores sobre ele na escola...
Shen Chaowu, desinteressada, limitou-se a um monossílabo de cortesia.
Escolheu na garagem uma Cullinan cor-de-rosa, que partiu com um rugido estrondoso, cortando velozmente as ruas.
— Chegamos — disse Shen Chaowu.
Na negra vidraça do carro, refletia-se o letreiro “Shi Li Jiang Nan”. Ela semicerrava os olhos, uma estranha sensação de familiaridade no estilo da caligrafia.
Shi Li Jiang Nan era propriedade da família Zhou.
Refúgio de ricos, jantar ali exigia convite; só três mesas eram servidas a cada noite.
O salão, iluminado com esplendor, ostentava pontes e águas correntes; límpidas, as águas abrigavam raros lírios adormecidos, sob os quais nadavam lentamente dourados peixes de ventre abaulado.
Shen Chaowu, por um instante, perdeu-se em pensamentos.
Uma voz grave e aveludada soou atrás dela:
— Esperou muito?
Ela ergueu o olhar.
O homem vinha em sua direção.
O terno, de corte perfeito, ajustava-se aos músculos vigorosos das coxas; seu porte, idealizado pelas tendências coreanas, exibia ombros largos, cintura fina, e os cabelos escuros, perfeitamente penteados para trás.
Os traços do rosto, de uma beleza ímpar e altiva, assemelhavam-se aos de um modelo no auge da perfeição.
Não era de admirar que Jiang Yao se sentisse atraída por ele.
Os predicados exteriores eram, de fato, irrepreensíveis.
Quando Shen Chaowu estava prestes a dizer algo, a reservada Jiang Yao apressou-se:
— Não esperamos muito, acabamos de chegar.
— Isso, chegamos agora — confirmou Shen Chaowu. — Vamos entrar.
Ao ver Shen Chaowu adentrar o reservado, Jin Yao apressou-se a segui-la, sem notar que Jiang Yao, atrás, intentava se aproximar e caminhar ao seu lado.
A sala privada comportava dez pessoas.
Três, sentadas à ampla mesa redonda, tinham espaço de sobra.
Jin Yao, homem de decisões firmes, recebeu das mãos do garçom o cardápio, e, lançando o olhar à frente, deteve-se um instante em Shen Chaowu:
— ...Por que sentar-se tão longe de mim?
A mesa era grande demais.
Entre Shen Chaowu e ele, talvez só se entendessem ao telefone.
Shen Chaowu sorriu:
— Assim, conversamos treinando o fôlego.
— ?
Jin Yao estranhou. Sua noiva, hoje, parecia de algum modo diferente...
Ele pediu alguns dos pratos preferidos de Shen Chaowu, e só então pareceu lembrar-se dos demais à mesa. Educadamente, estendeu o cardápio a Jiang Yao:
— Senhorita Jiang, não se acanhe. Peça o que quiser.
Jiang Yao parecia incrédula ante tamanha cortesia.
O rosto alvo tingiu-se de rubor, o coração batendo descompassado, como se quisesse saltar do peito.
Irmão Jin Yao... O que isso significa?
Teria ele também simpatia por ela?
Por que, do contrário, ignoraria Chaowu e perguntaria diretamente a ela o que queria comer...
O rubor nas faces de Jiang Yao destacava ainda mais sua expressão delicada e vulnerável, tornando-a de uma graça tão terna que, se Shen Chaowu fosse homem, também sentiria uma leve comoção.
Sem poder evitar, Shen Chaowu fitou Jin Yao.
Mas viu que o olhar do homem continha-se em seu rosto, o cenho levemente franzido em meditação.
Um frio percorreu seu íntimo; Jin Yao, dotado de inteligência assustadora desde criança, após assumir os negócios da família, conquistara rapidamente seu lugar no conselho, consolidando-se no topo da elite de Haicheng com mão de ferro.
Mesmo sem o mesmo prestígio que em Pequim, era já um dos mais poderosos da cidade.
Era de estranhar que não se deixasse atrair por Jiang Yao.
Na vida anterior, ambos foram como relâmpago e pólvora: ao segundo encontro, já haviam consumado a união na cama.
Naquele primeiro encontro, nada acontecera, naturalmente, porque Shen Chaowu estava presente.
Jiang Yao pegou o cardápio, espantando-se de início com os preços: um peixe ao molho vermelho custava cinco dígitos — afinal, estar-se-ia comendo ouro ou peixe?
— Já... já está ótimo de pratos... — Jiang Yao sorriu sem jeito, mas não queria parecer intimidada diante de Shen Chaowu, forçando-se a manter a compostura. — Irmão Jin Yao gosta de peixe, então peça também o filé de peixe ao fio de ouro.
O garçom, com um sorriso gentil e preciso, corrigiu-a delicadamente:
— Senhorita Jiang, esse prato só está disponível para os clientes do salão mais nobre; estamos no segundo salão.
Jiang Yao, sentindo-se alvo de zombaria, sentiu o rosto queimar:
— Ah, então... então, deixe pra lá...
No íntimo, culpava Shen Chaowu por não tê-la avisado — teria sido de propósito, para fazê-la passar vergonha diante de Jin Yao? Que humilhação...
Jiang Yao quis afundar-se no chão.
— Não faz mal, pode se retirar — Jin Yao, percebendo o constrangimento da moça, franziu as sobrancelhas quase imperceptivelmente e dispensou o garçom. Explicou com voz calma: — O chef do Shi Li Jiang Nan pertence à família Zhou de Pequim, descendente de antigos cozinheiros imperiais. Fora o jovem herdeiro da família, ninguém mais desfruta de tais iguarias.
— Hmm, hmm! O irmão Jin Yao sabe de tudo! — Jiang Yao exclamou.
A ideia de Jin Yao ter se dado ao trabalho de consolá-la fazia seu coração bater ainda mais rápido, como um cervo assustado.
Ao ouvir o nome da família Zhou, Jiang Yao lançou um olhar inquieto a Shen Chaowu.
— Não há muito o que invejar — os lábios de Jin Yao desenharam um leve sorriso de desprezo, suas feições perfeitas marcadas por um traço de desdém. — Trata-se apenas de um aleijado numa cadeira de rodas, de natureza cruel e alma sombria. As debutantes de Pequim o evitam como a peste; envolver-se com a família Zhou só traz desgraça consigo.
Jiang Yao conteve o medo em seu íntimo, forçando um sorriso, embora o rosto já empalidecesse consideravelmente:
— Esse jovem herdeiro é assim tão terrível... Ele é tão feio quanto dizem...?
Neste momento, os pratos começaram a chegar.
Jin Yao, pegando uma fatia de lótus com os hashis, quis depositá-la na tigela de Shen Chaowu, mas, ao perceber a distância entre ambos, hesitou — e terminou por comê-la ele mesmo.
Já Jiang Yao, sentada a seu lado, tão próxima que bastava um descuido para tocarem-se as mãos.
— O jovem herdeiro da família Zhou raramente aparece em público, mas dizem que é de uma feiura notável, grosseiro e repulsivo — comentou Jin Yao.
Ao ouvir isso, Jiang Yao sentiu-se secretamente aliviada. Ainda bem que, naquele dia, o mordomo a confundiu com a irmã Chaowu...
Se o jovem herdeiro a tivesse obrigado a casar-se com ele, sua vida estaria irremediavelmente arruinada!