Capítulo Quatro Lin Qi desejava visitar o Grupo Fikes, conduzindo-o rumo à ascensão.
Uma semana já basta para fazer esquecer muitas coisas, quanto mais para alguém como Lin Qi, que não dava a menor importância ao Bar do Cão Negro. Que diferença fazia um punhado de gângsteres mortos? Acaso esperavam que a polícia fosse se importar? Pelo menos, era assim que Lin Qi pensava; por isso, achou perfeitamente normal que ninguém viesse procurá-lo.
Nesses dias, Lin Qi experimentava uma felicidade singela: arranjara uma nova namorada—Maria Hill. Uma beldade loura, de aparência fria e sempre com o semblante fechado, como se estivesse pronta a recusar qualquer aproximação, mas na verdade dotada de uma doçura e docilidade encantadoras.
Logo no primeiro encontro, acabaram na cama; desde então, passaram a viver juntos. Lin Qi sugeriu que Maria abandonasse o emprego de caixa, dedicasse-se ao lar, e deixasse que ele cuidasse de todas as suas necessidades financeiras—que ele a sustentaria. Uma proposta rude, sem dúvida. Das vezes anteriores em que Lin Qi sugerira tal coisa a outras namoradas, todas reagiram com furor, sentindo-se profundamente ofendidas. Por mais que Lin Qi explicasse, jamais conseguia fazê-las entender.
As garotas americanas deixavam Lin Qi perplexo; ou talvez fosse ele quem as deixava perplexas. Beatriz, a ex-namorada, também estranhara a princípio, mas acabou se habituando. Com Maria, porém, tudo foi diferente: após a primeira noite juntos, Lin Qi sentiu uma afinidade imediata e, sem rodeios, fez-lhe a proposta. Para seu espanto, Maria aceitou de pronto, sem hesitação.
Começaram então a coabitar, e Lin Qi sentia-se cada vez mais atraído por Maria. Sua beleza era notável, o corpo perfeito, mas o essencial era sua obediência e mansidão—para Lin Qi, a definição ideal de namorada.
Harry Potter e As Crônicas de Gelo e Fogo já lhe haviam rendido fortunas, e agora uma produtora queria adaptar Harry Potter ao cinema, o que garantiria mais uma enxurrada de lucros. Mas era preciso ocupar o tempo. Lin Qi preparava-se para sua próxima obra—desta vez, queria escrever Matrix.
Também era uma obra célebre em seu mundo de origem, e o filme fora um sucesso estrondoso. Como de hábito, antes de começar, precisava averiguar se existia neste mundo algum livro chamado Matrix.
Excelente: não havia.
Neste universo, excetuando-se os quadrinhos da DC, o restante da produção cultural diferia inteiramente da de sua vida anterior—o que abria um vasto campo para alguém como Lin Qi, mestre do plágio literário.
— Aqui está seu café.
Maria trajava uma camisola translúcida em tom de pele, sob a qual o relevo dos seus contornos desenhava-se, ora oculto, ora insinuante. Ela pousou a xícara ao lado do computador.
— Obrigado, minha Maria, sempre tão doce e atenciosa — Lin Qi disse, tomando a xícara e, ao mesmo tempo, tocando-lhe de leve a mão delicada, não deixando de elogiá-la mais uma vez. Maria, contudo, manteve a expressão inalterada, aquele rosto frio de sempre; não fosse pelas expressões que revelava na intimidade, Lin Qi poderia até imaginar que frieza era tudo o que Maria sabia demonstrar.
Apesar do rosto impassível, sua voz soou mais leve ao responder, evidenciando que os elogios de Lin Qi lhe agradavam, ainda que não deixasse transparecer.
— Está escrevendo um novo livro, Matrix? É sobre hackers?
Na tela do computador, bem visível, lia-se: Título: Matrix.
Lin Qi pousou a xícara e respondeu:
— Não, é a história de uma máquina que usa os humanos como baterias, mantendo suas mentes aprisionadas em um mundo virtual.
Expôs a Maria a trama geral de Matrix.
Até o rosto imutável de Maria Hill ganhou um brilho de assombro:
— Que ideia extraordinária! É quase inacreditável...
Lin Qi saboreava o assombro de Maria, quando, subitamente, ouviu-se uma inoportuna batida à porta.
Franziu o cenho, contrariado: quem viria interrompê-lo justamente agora, em meio ao seu momento de glória?
Levantou-se para atender; Maria recolheu-se ao quarto para trocar de roupa. Afinal, aproveitava o raro tempo livre para relaxar completamente e, tendo agora um jovem tão atraente disposto a sustentá-la, experimentava um novo sabor da vida. Por isso, quase ao meio-dia, ainda estava de camisola.
— Senhor Alvin, bom dia. Sou James Wesley, CEO do Grupo Ficks.
O Edifício Ficks erguia-se imponente ali perto; Lin Qi, é claro, conhecia o grupo, mas não tinha qualquer ligação com a empresa.
— Em que posso ajudar? — perguntou.
James ostentava um sorriso caloroso:
— Venho tratar de um assunto importante, senhor Alvin. Podemos conversar lá dentro?
Quem ergue tamanha torre certamente não é alguém qualquer. Lin Qi convidou James para entrar.
Sentaram-se ambos no sofá. Maria, já trajando roupas adequadas, ao perceber a presença de uma visita, preparou duas xícaras de café e as trouxe. Lin Qi não lhe pediu que se retirasse, então ela se acomodou a certa distância, observando tudo com curiosidade.
James lançou um olhar breve a Maria, enquanto mentalmente revisava o dossiê de Lin Qi, atribuindo-lhe silenciosamente a pecha de "mulherengo". Isso, porém, apenas lhe dava mais confiança quanto a persuadir Lin Qi.
— Pode falar, ao que veio? — Lin Qi perguntou, sem rodeios. O Grupo Ficks era poderoso, mas ele não tinha razão para bajular ninguém.
James pousou o café e adotou um tom solene:
— Gostaríamos de convidá-lo a integrar o Grupo Ficks. Se aceitar, oferecemos 10% das ações do grupo e um salário anual de, no mínimo, dez milhões de dólares.
Lin Qi ficou atônito: estavam querendo recrutá-lo.
Logo, porém, sentiu o coração disparar. Não fazia ideia de qual era exatamente o ramo do Grupo Ficks, mas só pelo porte do edifício era fácil supor que 10% das ações valessem centenas de milhões, sem falar no salário anual estratosférico. Era quase irreal. Afinal, desde que atravessara para este mundo e começara a escrever Harry Potter, já se tinham passado treze anos, e só agora alcançara a marca de dez milhões.
Dez milhões era muito para a maioria das pessoas, algo inalcançável numa vida inteira; mas, para certos magnatas, não passava de troco.
— Sério? — não conteve a pergunta. Temia que houvesse algum equívoco; caso contrário, só podia ter feito algo que os surpreendera tanto que decidiram lhe oferecer semelhante fortuna.
Afinal, como alguém vindo de 2022, neste mundo que ainda era 2006, não seria de estranhar que, vez ou outra, provocasse espanto com suas ideias.
Reconheciam, enfim, seu talento inato—isso era justo, era de se aceitar.
Ele tinha inúmeras ideias para ganhar dinheiro, mas, por falta de respaldo, acabava recorrendo ao plágio literário. Se o Grupo Ficks estava disposto a investir tanto, poderia levá-los muito além.
— Naturalmente — disse James —, o senhor Ficks aprecia muito seu talento.
O rosto de Lin Qi se iluminou:
— Perfeito! Aceito. O senhor Ficks tem um olhar apurado—tenho muitas ideias excelentes, com certeza farei o Grupo Ficks decolar!
James quase cuspiu o café que acabara de levar aos lábios; apenas uma rígida educação o impediu, mas a bebida, voltando pela garganta, fez com que tossisse violentamente.
Recobrando-se, James lançou a Lin Qi um olhar intrigado:
— Senhor Alvin, não estará havendo algum mal-entendido?