Capítulo 1: Encontros Infelizes
Noite de verão, nos arredores de um condomínio, um homem de cerca de vinte anos reclinava-se contra uma motocicleta. Uma mão segurava um cigarro, a outra apertava uma garrafa de vinho, e seus olhos examinavam cada pessoa que saía do conjunto habitacional.
Chamava-se Li Fei, de instrução modesta, mas não se engane: não era um coração partido que o trazia ali, e sim a missão de cobrar uma dívida.
Três meses atrás, seu amigo Shen Xuecheng pedira-lhe emprestado algum dinheiro, alegando estar prestes a abrir um restaurante de hot pot. O ponto já estava escolhido, faltava apenas uma parte do capital, por isso esperava obter algum empréstimo de Li Fei.
Li Fei hesitou. O bom senso dizia-lhe para recusar, pois ele próprio era apenas um rapaz pobre, com poucas economias no banco.
Mas Shen Xuecheng, entusiasta, convidou-o a visitar o futuro restaurante, descreveu-lhe com fervor as perspectivas brilhantes do negócio e, ao final, ofereceu-lhe um banquete.
Li Fei, considerando a sólida posição da família de Shen Xuecheng, julgou que não seria provável que o amigo lhe desse o calote. No fim, concordou.
Cedeu a Shen Xuecheng o cartão de crédito com um limite de cem mil yuans. Jamais imaginaria que aquilo se tornaria um pesadelo.
No primeiro mês, Shen Xuecheng ainda quitou as prestações pontualmente. No segundo, tudo desandou: não só deixou de pagar, como também estourou o cartão. Cem mil yuans era uma soma impossível para Li Fei.
Mensagens e ligações de cobrança não cessavam; até a vida de seus pais foi afetada. Um advogado procurou-o, ameaçando que, caso não pagasse, o tribunal o processaria e, por fim, acabaria na prisão.
Li Fei tentou contactar Shen Xuecheng, que primeiro o enganou com desculpas, depois, irritado, bloqueou-lhe o número e passou a evitar qualquer encontro.
Ao investigar, Li Fei descobriu que o restaurante era, na verdade, de outra pessoa—tudo não passava de um golpe arquitetado por Shen Xuecheng.
Shen Xuecheng havia se entregado ao vício das apostas online e, em poucos meses, enganara todos os amigos que pôde.
Os demais, ao menos, exigiram um recibo de dívida; Li Fei, nada tinha em mãos.
Decidiu então encontrar Shen Xuecheng, resolver de vez a questão do cartão. Não podia mais adiar.
O verão era sufocante; mesmo à noite, Li Fei transpirava. Os mosquitos não lhe davam trégua, tornando tudo ainda mais insuportável.
Nesse momento, um casal saiu do condomínio. Ela era bela, com corpo de modelo; ele, mais baixo, mas vestido com ostentação.
Pareciam ter acabado de jantar, saindo para um passeio digestivo.
Ao ver Shen Xuecheng, Li Fei aproximou-se silenciosamente, interceptando o caminho dos dois, e falou:
— Xuecheng, eu...
Shen Xuecheng cortou-lhe a frase:
— Não vê que estou ocupado? Se tem algo, fale amanhã.
Li Fei explodiu, estendendo o braço e agarrando-lhe o colarinho, bradou:
— Desgraçado, você tem me evitado esses dias! Sabe como tem sido minha vida ultimamente?
O tom elevado atraiu alguns curiosos.
Shen Xuecheng desvencilhou-se, lamentando:
— Isso é de marca, não estrague!
A mulher, impaciente, apontou para Li Fei:
— Acheng, quem é esse sujeito?
— Um amigo, não se preocupe. Espere-me ali adiante, seja boazinha — respondeu Shen Xuecheng, com voz suave.
Ela resmungou e afastou-se.
Shen Xuecheng voltou-se para Li Fei, contrariado:
— Você não tem autocontrole, hein? São só cem mil yuans. Amanhã, quando recuperar o que perdi, devolvo tudo com juros. Está bêbado, pare de escândalo.
Li Fei estendeu a mão, exigindo em voz alta:
— Quero agora.
— Agora, agora, agora... Quero nada! — replicou Shen Xuecheng, com desprezo. — Vou te dizer: ou me processa no tribunal, ou espera em casa. Quando eu quiser, te pago.
Sem se importar com o rosto lívido de Li Fei, virou-se e foi atrás da namorada.
Li Fei avançou, agarrando-o de novo:
— Não pense que vai fugir. Se hoje não me pagar, não sairá daqui.
Shen Xuecheng, sem se voltar, ordenou:
— Sai da frente, nunca viu dinheiro na vida.
Girou de repente, empurrou Li Fei ao chão e xingou, prosseguindo ao encontro da namorada.
Sentindo os olhares ao redor, Li Fei sentiu-se humilhado e furioso.
— É demais, não aguento mais!
Seu peito arfava, e, num impulso, sacou do bolso uma faca de frutas, ergueu-se e correu em direção a Shen Xuecheng.
Quando o homem comum se enfurece, o sangue jorra em cinco passos.
O rosto de Shen Xuecheng ainda exibia um sorriso satisfeito; a presença de Li Fei não o preocupava. Bastava enganá-lo mais um pouco, não pretendia pagar nada.
Mas, ao quase alcançar a namorada, sentiu uma dor aguda na