Capítulo Quatro: A Arte de Burilar o Roteiro

Aku adalah seorang ahli dalam seni peran. Chen Benchi 2826字 2026-03-14 14:37:20

“Chua!”

Um balde de água despejou-se sobre sua cabeça, e He Xin estremeceu violentamente, enquanto arrepios brotavam visíveis em sua pele. Pegou o sabonete e ensaboou-se da cabeça aos pés, esfregando-se com vigor. Vendo que o balde sob a torneira já estava cheio, apressou-se em pegá-lo e, em duas vezes, enxaguou toda a espuma do corpo. Secou-se rapidamente, calçou os chinelos e, num instante, correu de volta para o seu pequeno quarto.

Era fim de mês, época de acerto de contas na empresa. Naquele mês, seu desempenho fora bom: quase dois mil na mão, e com as entregas avulsas feitas por fora, a renda mensal se aproximava de dois mil e quinhentos. Para ser sincero, no instante em que recebeu o dinheiro, quase se arrependeu de ter aceitado o filme de Wang Xiaoshuai. Mas, afinal, o contrato já estava assinado e, talvez, no fundo de si, ainda restasse um pequeno sonho de ser estrela. Assim, pediu demissão à empresa.

Não comentou sobre o filme — quem acreditaria? No mínimo, seria alvo de chacota. Limitou-se a dizer que tinha um assunto urgente e que, temporariamente, não poderia continuar ali; provavelmente, em três ou quatro meses, estaria de volta.

Naquela empresa de entregas não havia salário fixo, todo o rendimento era por comissão. E He Xin, que já trabalhara ali quase três meses, sem nunca causar problemas e sempre apresentando bons resultados, foi calorosamente convidado pelo patrão, ao despedir-se, a retornar quando quisesse.

Era uma rota de retorno que deixava aberta para si mesmo, evitando que, após o filme, precisasse sair por aí à cata de novo emprego.

Naquele entardecer, ao voltar para o quarto alugado, encontrou o pátio silencioso: os inquilinos haviam saído para trabalhar, e o casal de proprietários ainda estava envolvido numa interminável partida de mahjong. Aproveitando o sossego, despiu-se até ficar só de cueca e ali mesmo, no pátio, tomou um banho frio.

Vestiu-se, pôs as roupas sujas de molho no sabão em pó e, sentindo-se confortável, deitou-se na cama. Na verdade, quer trabalhasse nos canteiros de obras, quer nas entregas, nunca existira para ele algo chamado “dia de folga”; momentos ociosos como aquele eram raros.

Acendeu um cigarro e, quase sem perceber, apanhou novamente o roteiro que deixara ao lado do travesseiro. O roteiro tinha umas setenta ou oitenta páginas; quando Wang Xiaoshuai o entregou, disse-lhe que era um roteiro literário. He Xin não compreendia bem qual a diferença entre um roteiro literário e um roteiro propriamente dito; ao ler, soava-lhe como um romance.

Nos últimos dias, aproveitara as noites para lê-lo atentamente duas vezes. Seu personagem, Xiao Gui, assim como ele, era um entregador de encomendas; só que Xiao Gui acabara de chegar à cidade, não entendia nada, era inexperiente.

Xiao Gui, após muito esforço, conseguira comprar sua própria bicicleta, mas logo a teve roubada. Não desistiu de procurá-la e, assim, conheceu Xiao Jian, que vendia bicicletas usadas. Mesmo sendo agredido várias vezes pelos colegas de Xiao Jian, Xiao Gui persistiu, e os dois acabaram dividindo uma bicicleta. Xiao Jian bateu no novo namorado de Xiaoxiao, que, em retaliação, planejou vingança. Por acaso, foi Xiao Gui quem apareceu para buscar a bicicleta; o namorado de Xiaoxiao, achando que estavam juntos, espancou Xiao Gui e ainda destruiu sua bicicleta.

Evidentemente, tratava-se de uma história sobre juventude. Do desejo de Xiao Gui de possuir a própria bicicleta, à empregada do campo que, às escondidas, vestia as roupas e os saltos altos da patroa para fingir-se de “citadina”, via-se claramente a intenção de retratar as dificuldades e anseios dos migrantes que chegavam à cidade em busca de trabalho.

He Xin, contudo, não se impressionava. Por mais sofrido que Xiao Gui fosse, ao menos tinha um primo que era dono de uma mercearia e em quem podia se apoiar. Na memória do antigo dono daquele corpo, foi muito pior ao chegar a Pequim: não sabia nada, caiu num golpe, foi parar num canteiro de obras, trabalhou exaustivamente por mais de dois meses sem receber um centavo, e por pouco não foi enganado para ir a Shanxi cavar carvão.

Pancadas, fome, noites ao relento — só graças a um conterrâneo bondoso que conheceu acabou sendo encaminhado para um canteiro de obras decente e, finalmente, estabilizou-se.

Mas, pensando bem, ao recordar, He Xin até se congratulava por o antigo dono possuir ao menos uma boa aparência física: um metro e oitenta, não era bonito como aqueles “galãs” do futuro, mas também não desagradava. Se fosse como ele, em sua vida anterior — pouco mais de um metro e sessenta, aos vinte ainda com o rosto coberto de espinhas —, Wang Xiaoshuai jamais teria lhe dado uma chance.

Suspirou. No fundo, não tinha grandes expectativas; afinal, Wang Xiaoshuai o enxergara com bons olhos, dera-lhe uma oportunidade. Tinha de agarrar essa chance, não podia desperdiçá-la.

Restavam ainda alguns dias antes de se juntar ao grupo. Depois, não começariam a filmar de imediato; haveria leituras de roteiro em conjunto, para entrosamento entre os atores, e coisas assim. He Xin sabia que não era um homem brilhante — em duas vidas, jamais fora além do ensino fundamental, sempre um aluno medíocre. Restava-lhe, como dizem, “voar cedo, feito o pássaro tolo”.

No início, pensara em decorar as falas, mas logo percebeu que, antes de tudo, precisava compreender a fundo o roteiro.

Mas como fazer isso?

Segundo sua compreensão, era como uma aula de língua: primeiro, ler repetidas vezes, resumir a ideia central, depois organizar o sentido de cada parágrafo.

Trancou-se no quarto alugado por dois dias, mergulhado no estudo. Surpreendeu-se ao perceber que, uma vez entendido o texto, decorar as falas fluía naturalmente e fixava-se na memória, sem aquela confusão de esquecer o que vinha antes ao avançar para a frente.

Suspirou profundamente. Não era à toa que, na escola, os professores insistiam que, antes de decorar, era preciso compreender o texto. Se soubesse disso antes, talvez não tivesse tirado notas tão baixas em língua chinesa.

Com o avanço na memorização das falas, começou a trabalhar as mudanças de entonação, conforme as indicações do roteiro, imaginando os diferentes contextos. Fechava os olhos e se punha a imaginar.

Por exemplo, nesta cena:

Xiao Gui e seu primo Qiusheng comem macarrão enquanto espiam, do outro lado da rua, uma jovem empregada que troca de roupa sem parar e se exibe diante da janela.

Qiusheng: “Ei, ela trocou de roupa de novo, olha só.”
Xiao Gui: “Não é que ela é bonita mesmo, hein!”
Qiusheng: “E daí que é bonita? Olhar não é crime, né?”
Xiao Gui: “Você conhece ela?”
Qiusheng: “Ela é aquela que vive vindo aqui trocar shoyu... Xiao Gui, reparou? Mulher de cidade, cada vez troca pra um monte de roupa, que desperdício!”
Qiusheng cutuca Xiao Gui: “Tá bom, chega de olhar, isso faz mal pra tua saúde. Vai trabalhar.”

He Xin conseguia visualizar: Qiusheng, já à vontade, puxando o macarrão e sorrindo com malícia, o tom sarcástico. E Xiao Gui, como deveria ser?

Também comendo e olhando?

Não! Um rapaz de dezessete anos, recém-chegado à cidade, na plenitude da adolescência, diante de uma bela mulher da cidade, trocando de roupa sem cessar, desfilando diante da janela como uma modelo... Ele certamente ficaria boquiaberto, esquecido do macarrão na mão. Mesmo quando Qiusheng o impedisse de olhar, seu olhar ainda se demoraria, relutante...

Ora, isso tem graça! He Xin achou divertido.

As imagens imaginadas abriram uma janela em sua mente, e um mundo nunca antes visto foi se revelando, aos poucos.

Ele sentia aquelas cenas, sentia a história do roteiro, sentia todas as alegrias e tristezas de Xiao Gui.

Não sabia quanto tempo se passou até que abriu lentamente os olhos, fitando as traves do teto; aquelas palavras rígidas do roteiro, agora, ganhavam vida em sua mente.

***

Nas ruas movimentadas de Pequim, Xiao Gui, com a cabeça ferida, rosto inchado, lábios sangrentos, carregava meia bicicleta ao ombro, o aro entortado na mão, caminhando mancando...

Tudo aquilo parecia ter acontecido consigo mesmo, e He Xin sentia uma dor profunda.

Talvez fosse isso que chamam de atuação, ou, ao menos, o que um novato sem experiência alguma podia entender por atuar.

Num piscar de olhos, chegou o dia de se apresentar ao grupo.

He Xin não tinha mala; quando saiu do canteiro de obras, até seu cobertor deixara para trás — só lhe restava um saco de rafia. Separou algumas roupas, toalha, artigos de higiene, colocou tudo num saco plástico, montou em sua velha bicicleta e seguiu pedalando para o destino.

O alojamento da equipe era novamente na pousada do Novo Estúdio Cinematográfico de Beitaipingzhuang.

“Chegou!”

Ao entrar, a moça que, no teste, ficara ao lado da câmera para ajudá-lo com as falas, cumprimentou-o calorosamente.

“Olá, irmã Na!”

A moça era assistente de direção da equipe, chamada Tana, pertencente a uma minoria étnica.

“O diretor está no quarto?”

O saguão estava vazio.

“O diretor, o Professor Liu, o Professor Cao e os outros saíram para visitar locações. Ah, você está no quarto 201.”

Tana pegou uma chave na recepção e lhe entregou: “Li Bing também acabou de chegar, vocês vão dividir o quarto. Conhece o Li Bing? Ele vai interpretar Xiao Jian.”

“Sei, o diretor mencionou, mas só conheço de nome, ainda não o vi pessoalmente.” He Xin sorriu, cordial.

“Coloquei vocês juntos justamente para se entrosarem logo.”

“Tudo bem, obrigado, irmã Na.”