Capítulo Quatro: Três Degraus Transpostos em Sucessão
O verdadeiro marco de uma posição formal como mago é quando a fonte mágica se transmuta num autêntico vórtice elemental, elevando enormemente o domínio sobre os elementos e o poder mágico. No caso de Xiao Chen, formou-se em seu baixo-ventre o Vórtice do Vento. (Nota: Os quatro grandes ramos da magia primordial são Terra, Fogo, Vento e Água, além de subtipos extremamente raros ou mutantes, como Relâmpago, Luz e Trevas.)
Após formar o Vórtice do Vento, Xiao Chen não cessou seu empenho; prosseguiu absorvendo freneticamente os elementos do vento dispersos ao seu redor. O fluxo incessante de energia eólica era quase insano. O vórtice azul-esverdeado intensificava sua coloração, passando de um tom claro para um profundo, girando cada vez mais rápido. Ao absorver os elementos do vento, estes, reforçados pela essência primordial, eram lançados de volta ao exterior.
Gradualmente, na superfície do corpo de Xiao Chen, todos esses elementos de vento giravam em torno do vórtice, formando espirais incessantes. Os arbustos no solo sussurravam sob a pressão do vento. Porém, tudo era rigidamente contido, sem causar as vastas perturbações que sua primeira incursão da alma na fonte mágica provocara.
Aos olhos nus, nada se via; mas para a consciência espiritual de Xiao Chen, o fluxo dos elementos era nítido e absoluto. Girando em redemoinhos, as correntes de vento assemelhavam-se a longas serpentes azuladas enroscando-se ao seu redor.
De súbito, o vórtice externo expandiu-se abruptamente, e, num instante, todas as espirais azuladas mergulharam de volta ao corpo. O vórtice do vento em seu interior atingiu a espessura de um dedo indicador.
Mais uma evolução...
Em meros dez minutos, Xiao Chen avançou de novo...
Tamanho ritmo aterrador faria qualquer mago arregalar os olhos de espanto e ser consumido pela inveja.
Mas ainda não era o fim...
A força da alma de Xiao Chen era cem vezes superior à de um homem comum. Ainda assim, esta ascensão não alcançava seus limites. Os elementos do vento continuavam a afluir incessantes...
Meia hora depois, finalmente as ondas elementais cessaram. Xiao Chen abriu os olhos e exalou um longo suspiro.
Como esperado, ascendera mais uma vez: o vórtice do vento em seu corpo agora tinha a grossura de um polegar, girando sem parar, formando ao seu redor, num raio de cinco metros, um campo sutil de vento.
“Três estrelas...”, murmurou Xiao Chen, franzindo levemente a testa, como se descontente com o resultado. Se algum mago soubesse de seus pensamentos, certamente enlouqueceria de raiva...
De um mero aprendiz de magia, inútil e insignificante, para um mago de três estrelas em menos de uma hora—tal velocidade monstruosa não era suficiente para ele. Nem mesmo o mais jovem Santo Mago Lendário do continente, o “Fogo Demoníaco” Clodia, cultivara-se a tal ritmo.
Oras, avançar de nível não é como mastigar repolho!
“Minha força espiritual consumiu-se apenas um terço, longe de esgotar-se. Parece que a quantidade de elementos no mundo não é suficiente... Ou minha compreensão da magia ainda é superficial...”
Xiao Chen vasculhou as memórias em sua mente. O antigo “Xiao Chen” não passava de um aprendiz de magia do mais baixo nível, sem qualquer entendimento profundo sobre o ofício. Com um método tão forçado de avanço, mesmo com sua prodigiosa força espiritual, alcançar três estrelas já era seu limite.
Afinal, entre três e quatro estrelas reside a fronteira entre mago inferior e intermediário.
Não que Xiao Chen nutrisse paixão especial pela magia... Mas, com este corpo, manipular o poder estelar era impossível. A magia era, portanto, uma solução provisória.
Lentamente estendeu a mão direita, apanhando o cajado de cerejeira caído ao chão. O bastão, de aparência humilde, tinha apenas alguns magos selos gravados, sem sequer uma gema catalisadora de poder—pura penúria.
Contudo, era esperado: um cajado de alto nível seria desperdício nas mãos do antigo Xiao Chen, mero aprendiz.
Ergueu o cajado.
Repassou mentalmente o ritual do lançamento mágico e seus lábios sussurraram baixinho.
Com seu cântico grave, o vórtice do vento em seu dantian expandiu-se de súbito. À medida que a energia mágica fluía, as runas gravadas no cajado reluziam em tom azul-esverdeado. De súbito, na ponta do bastão, um débil hexagrama brilhou e sumiu.
No ar, formou-se uma lâmina delgada azul-cinzenta, onde os elementos do vento giravam violentamente, chegando a rasgar o próprio ar, que sibilava em resposta.
Magia elementar de uma estrela—Lâmina de Vento!
“Ide!”
Sentindo o poder fervilhar, Xiao Chen estocou o cajado com vigor. “Tss!” A lâmina azul-cinzenta cortou o ar, deixando um rastro tênue.
“PAF!” Um galho com a grossura de um braço caiu de uma árvore a mais de vinte metros de distância.
“Hmm... Nada mal.” Xiao Chen acariciou o queixo, o olhar fixo no espaço onde a lâmina se dissipara.
Ser capaz de decepar um galho daquele porte a vinte metros... O poder já se equiparava ao de uma pistola. Após lançar o feitiço, sentiu uma leve diminuição em sua energia, mas nada preocupante.
Com sua força de alma atual, poderia lançar tal magia uma centena de vezes sem dificuldade.
Xiao Chen concentrou-se para conjurar outra Lâmina de Vento.
...
...
Após longos experimentos, repetindo conjurações e manipulações por mais de uma hora, Xiao Chen já dominava o controle mágico e os princípios básicos da magia.
Chegou mesmo a desenvolver suas próprias compreensões, pois em sua vida anterior fora um gênio marcial no mundo do cultivo, uma estrela demoníaca sem igual.
No uso do poder, magia e técnicas daoístas tinham muitos pontos em comum.
Por fim, interrompeu seus estudos.
“Este poder, embora não seja forte, servirá para o que preciso.”
“Preciso neutralizar o veneno em meu corpo o quanto antes—ao menos suprimi-lo...”
Xiao Chen mergulhou novamente em introspecção.
Cada partícula de seu corpo estava sob seu “olhar”.
O veneno negro de serpente infiltrava-se lentamente em seu sangue, insidioso e letal. Graças ao vórtice de vento no baixo-ventre, o veneno não destruíra seu dantian.
Contudo, a maior parte do veneno concentrava-se ali, como se intuísse a necessidade de destruir esta ameaça latente.
Xiao Chen soltou um resmungo frio.
Imensa força espiritual jorrou no vórtice de vento, que girou com furor. A energia mágica disparou, condensando o elemento do vento numa centelha azul-profunda.
Graças ao treino anterior, agora manuseava o poder com destreza.
Ao invés de atacar o local de maior concentração do veneno, escolheu avançar pelas áreas menos afetadas.
Sob sua consciência espiritual, cada fibra, osso, célula de seu corpo era evidente. O veneno, denso no abdômen, era escasso nas pernas e pés—e foi por aí que começou a expulsá-lo.
Embora a força de um mago de três estrelas não fosse excepcional, Xiao Chen superava qualquer outro na mesma classe graças à força espiritual e ao domínio elemental. Concentrando-se nos pontos frágeis, atacava de dentro para fora.
Correntes de energia mágica envolviam a medula e os tecidos onde manchas negras de veneno se ocultavam, conduzindo-as para fora do corpo.
Esse controle minucioso era um grande teste a sua maestria elementar.
Felizmente, em sua vida passada, manipular o poder estelar era mil vezes mais difícil. Após alguma hesitação inicial, Xiao Chen logo pegou o jeito.
Pouco a pouco, veios de veneno negro emergiam pelos poros das pernas e dos pés; o vento à superfície do corpo os envolvia e dispersava no ar.
Meia hora depois, suas pernas e pés, outrora negros, adquiriam um tom verde-azulado, clareando progressivamente.
O veneno enredado no abdômen parecia perceber a mudança nas pernas e avançava, como se quisesse “cercar” as forças mágicas de Xiao Chen.
“Hmph, este veneno é mesmo engenhoso.”
Mas Xiao Chen não se intimidou; sob seu comando, a energia mágica trocou de “campo de batalha” rapidamente. Quando o veneno convergia para as pernas, sua energia já estava no abdômen, expulsando os resíduos dali.
Assim seguiu o jogo de gato e rato.
Não se sabe quanto tempo passou.
No fim, Xiao Chen conseguiu dissipar a maior parte do veneno.
Quando finalmente parou, o céu estava completamente negro—haviam se passado pelo menos cinco ou seis horas.
Tal controle minucioso e prolongado de energia mágica era extenuante; suor frio escorria por sua testa e corpo.
E o veneno, de fato, era traiçoeiro e persistente.
Não à toa era chamado de o veneno insolúvel da Serpente de Escamas Negras, temido por guerreiros e magos.
Quando restou apenas uma pequena quantidade de toxina, esta, sentindo a ameaça, contraiu-se num ponto do baixo-ventre, sem se dispersar, como se grudada aos ossos, travando uma batalha silenciosa contra a energia mágica de Xiao Chen.
“Droga, caí tão baixo que nem um veneno de meia tigela consigo eliminar.”
Sem alternativas, Xiao Chen apenas resmungou resignado.
A noite era cerrada, e a fome rugia em seu estômago como trovão, revirando suas entranhas.
Aquela sensação de estômago vazio, de azia, ele não sentia havia dez anos, desde que condensara seu núcleo estelar aos dezesseis anos, em sua vida passada... Uma nostalgia, por mais estranho que fosse.
“Maldição, que fome! Agora eu devoraria um porco inteiro.”
Cambaleando, Xiao Chen pôs-se de pé. O veneno, embora não extinto, podia ser suprimido.
A prioridade... ainda era...
Xiao Chen tomou posição.
Seu olhar tornou-se, de súbito, cortante como uma lâmina.
Roooaaar~~~~~
Um bramido baixo veio dos arbustos à frente.
Entre o farfalhar das folhas, emergiu um javali selvagem aterrador, com mais de dois metros de comprimento, próximo dos três. Os olhos, de um vermelho sangrento; espinhos ósseos, brancos e entrelaçados, se erguiam pela espinha, reluzindo um frio brilho azulado; presas espiraladas de vários palmos surgiam, exalando uma aura de terror, ferocidade e brutalidade...