Capítulo 002: Meu nome é Bai Qi
Na família Su, a morte de um plebeu era algo corriqueiro.
Esse fato, Bai Qi naturalmente compreendia.
Contudo, desde o instante em que se ergueu, os tais plebeus, aos seus olhos, não passavam de formigas insignificantes.
“Matar-me? Vocês, reles insetos, de onde lhes vem tal audácia?” Bai Qi esboçou um sorriso, mas esse sorriso era de gelar a alma.
O mordomo, ao ver a expressão feroz de Bai Qi, levou um susto ainda maior.
Sentiu-se inexplicavelmente inquieto, mas, afinal, como poderia o poderio da família Su ser comparado ao de um mero Bai Qi?
Dois seguranças avançaram a passos largos, rostos retorcidos em hostilidade.
Bai Qi lançou-lhes um olhar de absoluto desprezo e então…
Cráck!
Cráck!
Os braços dos dois seguranças foram quebrados, ambos lançados por Bai Qi ao jardim dos fundos.
Já não havia palavras para exprimir o assombro de todos; restava-lhes apenas o estupor, inclusive ao próprio mordomo.
“Você… o que pretende fazer?” O mordomo, apavorado, contemplava Bai Qi que se aproximava. Seu autocontrole o abandonava, e, recuando sem cessar, viu quatro seguranças interporem-se, forçando coragem.
“Não pretendia matar-te, mas por humilhar-me repetidas vezes, és agora merecedor da morte!” Bai Qi bradou furioso, cerrando os punhos, lançando-se sobre o mordomo.
“Como ousa! Insolente, em minha presença, matem-no!” Os seguranças trocaram olhares e todos atacaram Bai Qi.
Eram todos ex-soldados das forças especiais—como poderiam temer alguém como o inofensivo Bai Qi?
Mesmo sem compreender de onde lhe vinha tal súbita força, para eles, continuava sendo um inútil.
“Matar!”
Cercaram Bai Qi, desferindo socos e pontapés—mas Bai Qi não era alguém a ser espancado por meros lacaios.
Com um passo, rompeu o cerco rapidamente, desferiu um golpe de mão no pescoço de um dos seguranças.
A coluna cervical partiu-se sob o seu golpe; sob gritos lancinantes, Bai Qi arremessou o corpo do segurança, e com dois chutes consecutivos, lançou os outros dois para longe.
O último segurança, intimidado pelo olhar feroz de Bai Qi, teve as pernas trêmulas e, tomado pelo terror, exalou um fétido odor—urinara-se de medo.
Bai Qi lançou-lhe um olhar de desprezo, voltando-se então ao mordomo como se encarasse um cadáver.
“Bai… Bai Qi, não faças loucuras… eu… sou o favorito do senhor Su, se ousares matar-me, ele não te poupará!” O mordomo estava lívido, os botões do paletó abertos.
Esforçando-se por manter a postura, brandiu o nome do senhor Su como ameaça.
Em Sanjiang, o senhor Su, embora não ocupasse cargo oficial, era um dos chefes do submundo, e ninguém ousava enfrentá-lo. No círculo, era chamado de Rei Su.
O poder da família Su figurava entre os maiores da cidade.
O mordomo, ao invocar o nome do Rei Su, esperava intimidar Bai Qi.
No passado, Bai Qi jamais ousaria confrontar a família Su; mas o Bai Qi de agora não era mais o mesmo.
“Su Tianwang? Após tua morte, irei acertar contas com ele!” Bai Qi sorriu com frieza, então ergueu o punho.
O golpe de Bai Qi atingiu o peito do mordomo, que envergou-se como um camarão antes de tombar pesadamente ao chão, sem mais respirar.
O mordomo da família Su... fora morto.
O céu… estava prestes a mudar.
Era o que todos, atônitos, pensavam.
Após assassinar o mordomo, Bai Qi deu meia-volta, afastou-se apressadamente.
Tinha de impedir a tragédia que ameaçava sua irmã.
Com sua força e velocidade atuais, acreditava que ela não sofreria qualquer mal!
Sanjiang era uma cidade próspera, edifícios elevados, luzes de néon resplandecendo no mercado noturno.
Todavia, nos arredores havia bairros humildes, e era ali que Bai Qi e sua irmã, Bai Ling, viviam: um pequeno sobrado de menos de quarenta metros quadrados.
Bai Qi correu para casa na máxima velocidade.
Mal chegara à porta, ouviu o grito de socorro de Bai Ling, vindo de dentro.
“Su Zhuo, seu canalha, solte-me! Solte-me! Socorro!”
“Pode gritar à vontade, até perder a voz, ninguém virá ajudá-la. Quem ousaria enfrentar a família Su?”
“Querida, eu aprecio ainda mais o teu corpo paralisado, venha, deixe-me deliciar-me contigo, ha ha ha!”
Lá dentro, uma voz asquerosa e cheia de lascívia, misturava-se aos gritos de desespero de Bai Ling, despertando em Bai Qi, que acabava de chegar, uma fúria assassina.
Bum!
Com um pontapé, arrombou a porta e entrou.
O que viu fez seus olhos tingirem-se de sangue: as vestes de Bai Ling estavam rasgadas em farrapos, revelando a pele alva.
Ela jazia sob Su Zhuo, resistindo com todas as forças, cabelos em desalinho, sem tempo de se recompor.
Mas sua força era ínfima diante de Su Zhuo.
Su Zhuo, por sua vez, sorria com desdém e libidinagem, completamente à vontade.
O estrondo da porta arrombada assustou-o, e ao tentar baixar as calças, quase se urinou de medo.
Contudo, ao reconhecer Bai Qi, Su Zhuo deixou transparecer escárnio e desprezo.
Afinal, era apenas aquele inútil, o irmão incapacitado de Bai Ling.
“Ora, Bai Qi, voltou tão cedo da família Su?” Su Zhuo, de rosto disforme, olhos miúdos como sementes de feijão-verde, nariz achatado, era de feiúra notória.
Mas nascera em berço de ouro, segundo filho da família Su, sempre cercado de luxo e belas mulheres.
Agora, desejava provar o sabor de uma beldade paralisada, sem o menor pudor.
“Já te disse, te dou cem mil pelo desvirginamento de tua irmã—é um bom negócio! Por que teimas em recusar?” Su Zhuo não notou o sangue nas mãos de Bai Qi, tampouco se importou com o olhar assassino que este lhe lançava; continuava a zombar, incansável.
“Já terminaste? Se sim, é hora de enviares tuas preces, pois tua hora chegou.” Bai Qi fitou-o com frieza e perguntou, impassível.
“O quê?” Su Zhuo ficou atônito, julgando ter ouvido mal; como poderia Bai Qi ousar ameaçá-lo?
“Bai Qi, desejas morrer? Eu sou o segundo jovem mestre da família Su, quem és tu para me desafiar?”
“Acreditas mesmo que bastaria eu chamar um segurança para te matar, e pronto?” Su Zhuo encarou Bai Qi com escárnio.
Bai Qi também sorriu, mas seu sorriso era gélido e sombrio.
“O mordomo da tua família já foi morto por mim, e o próximo a morrer serás tu.”
“É melhor começares a dizer tuas últimas palavras, pois transmitirei teu recado a teu pai.” Bai Qi olhou para Su Zhuo, achando-o um adversário demasiadamente tolo.
Su Zhuo arregalou os olhos, mas logo desatou a rir, lágrimas escorrendo como se ouvisse a piada mais absurda do mundo.
“Ahahahaha! Bai Qi, endoidaste? Mataste o mordomo da família Su? Hoje não é primeiro de abril!”
“Má notícia! Má notícia! Jovem mestre, há um tumulto na casa Su! O mordomo foi assassinado!” Antes que Su Zhuo concluísse sua frase, um segurança entrou correndo, tropeçando, esbaforido e apavorado.
Dessa vez, o semblante de Su Zhuo mudou por completo; Bai Qi podia mentir, mas seu segurança jamais brincaria com aquilo.
“Esse miserável estragou meus planos—mata-o agora!” Su Zhuo lançou um último olhar cobiçoso para Bai Ling, lambendo os lábios.
E, ao fitar Bai Qi, seus olhos tornaram-se assassinos.
A existência daquele plebeu lhe era repugnante; matá-lo seria um alívio.
O segurança assentiu, lançando a Bai Qi um olhar de quem vê um morto, e perguntou com frieza:
“Quem é você, que ousa interferir nos assuntos do jovem mestre? Sua morte é merecida.”
“Eu? Estás a perguntar-me?” Bai Qi apontou para si, sorrindo com intensidade ao encarar o segurança.
O homem assentiu: “Não mato anônimos.”
“Oh, meu nome é Bai Qi.” Bai Qi respondeu calmamente, lançando um olhar de escárnio.
Em um instante, o rosto do segurança empalideceu; tremendo, apontou para Bai Qi, dentes batendo descontrolados.
“Você… você é o Bai Qi que matou o mordomo… você…”
“Sim, sou eu. Não querias matar-me? Pois venha!” Bai Qi acenou com o dedo, convidando-o.
Mas o segurança, apavorado, já não ousava levantar-se contra Bai Qi.
“Jo… jovem mestre, foi ele quem… matou o mordomo!” O segurança, em desespero, olhou para Su Zhuo, e este ficou petrificado.
Enfim, percebeu que Bai Qi não mentira—era verdade.
“Portanto, vocês também não escaparão!” Bai Qi semicerrando os olhos, caminhou lentamente na direção de Su Zhuo e do segurança.
“Humilhar-me, atacar minha irmã—como desejam morrer?” Bai Qi encarava Su Zhuo, curioso, pois o ato de matar era-lhe agora fonte de prazer.
Mas, para Bai Qi, esse homem não passava de um inseto—matar ou poupar era questão de um simples pensamento.
Ao perceber isso, seu sorriso tornou-se ainda mais gélido e sinistro, aterrorizando Su Zhuo e o segurança.
Enquanto isso, Bai Ling, deitada sobre a cama, olhos úmidos e enormes, fitava o irmão—e, de súbito, ele lhe pareceu um estranho.