Capítulo Primeiro: O Ingresso na Superdivindade
Zhang Wei abriu lentamente os olhos.
— Hm? Onde estou? — indagou, olhando ao redor, tomado de confusão. Certamente, aquele lugar não era sua casa.
As paredes brancas e sóbrias, a disposição impecável dos móveis — tudo destoava do lar de um típico solteirão recluso como ele. De súbito, uma torrente de memórias estranhas irrompeu-lhe à mente.
Chamava-se Zhang Wei, órfão; perdera os pais em um acidente automobilístico no último ano do ensino médio. Herdara deles algumas propriedades, quase dez milhões em dinheiro, ações e títulos diversos.
Por fim, ingressara na academia de polícia e, com orgulho, tornara-se um policial comum na monumental cidade de Juxia.
Espera…
— Juxia? — o nome, ressoando em sua memória, trouxe-lhe inquietação, sobretudo ao recordar de uma colega chamada Qilin.
Subitamente, Zhang Wei sentiu-se desmoronar por dentro.
Pensara que atravessar para outra realidade, ao menos, lhe renderia uma existência confortável — afinal, era um pequeno proprietário e funcionário público, com estabilidade para nunca passar necessidades. Agora, porém, percebia que viera parar no universo de Academia dos Deuses.
Como bom recluso, conhecia bem os horrores daquele mundo: deuses de toda sorte desciam à Terra — Ceifadores, a Luz Solar, a santa Keisha —, qualquer um deles poderia esmagá-lo com um simples toque.
Um homem comum, ali, não tinha sequer o consolo da segurança. Pois naquele universo, só o poder dos supergenes fazia diferença; cultivar o corpo ou o espírito era inútil.
— E o meu trunfo? Meu querido “cheat”, onde está você? Mostre-se! — Zhang Wei, sozinho no quarto, uivava em desespero. Onde estavam os benefícios prometidos aos viajantes interdimensionais? Por que ele, afinal, não recebera nada?
— Bip.
— Sistema em inicialização.
— Inicialização concluída. O anfitrião deseja acessar o sistema?
Zhang Wei quase saltou de alegria. Um “cheat”, e ainda por cima um sistema! O melhor de todos os trunfos!
— Entrar, rápido, entrar! — gritou ansioso.
— Primeira entrada do anfitrião no sistema. Parabéns, ganhou um pacote de iniciante: direito a um sorteio de genes.
— Sorteio de genes? Explique, sistema — Zhang Wei, ao ouvir falar no pacote, logo pediu explicações.
Como leitor ávido de romances, sabia instintivamente como lidar com sistemas.
— O sorteio de genes consiste em extrair aleatoriamente um gene do banco genético do sistema e fundi-lo ao corpo do anfitrião.
— Banco genético? Que tipo de sistema é você? — Zhang Wei foi direto ao ponto.
— Este é o Sistema de Genes Imortais, destinado a otimizar infinitamente os genes do anfitrião até que atinja a imortalidade — respondeu o sistema.
— Muito bem, então iniciemos o sorteio — assentiu Zhang Wei.
Diante dele surgiu uma roleta, repleta de genes dos mais variados, alguns familiares, outros não.
Domínio do Espaço-Tempo, Poder do Vazio, Gene Angelical, Força Galáctica, Guerreiro Nuo Xing…
— Céus, é mesmo tão incrível? — contemplou Zhang Wei, quase salivando diante das opções.
A roleta girava, cada vez mais veloz.
Zhang Wei esperou longos instantes.
— Sistema, por que não para? — questionou.
— O anfitrião deve dizer “pare” para interromper — informou o sistema.
— Droga! — Zhang Wei não esperava que precisasse dar o comando.
— Pare! — ordenou, enquanto, no íntimo, murmurava: Deuses, Imperador de Jade, Buda, que me concedam algo extraordinário.
— Parabéns, anfitrião, você obteve o gene: Lâmina de Guerra de Shenhe (versão otimizada).
Ao ouvir o nome, Zhang Wei sentiu-se desanimado.
Lâmina de Guerra de Shenhe?
Sabia bem, pelos relatos originais, que tudo que vinha de Shenhe dificilmente era extraordinário. Qilin, por exemplo, possuía o gene de Atirador de Shenhe — produção em massa, limitado à terceira geração de guerreiros, incapaz até de alcançar o nível semidivino.
— Sistema, explique melhor este gene — resignou-se Zhang Wei. Ao menos era um supergene, melhor do que nada.
— A Lâmina de Guerra de Shenhe era originariamente um supergene de combate corpo a corpo da unidade especial de Shenhe, mas, após otimização pelo sistema, rivaliza com a Força Galáctica, talvez até a supere.
Com tais palavras, Zhang Wei recuperou o ânimo — produto do sistema, só podia ser de excelência.
— O anfitrião deseja fundir o gene da Lâmina de Guerra de Shenhe? — indagou o sistema.
— Sim, fundir imediatamente! — Zhang Wei não era tolo. Com um supergene à disposição, por que hesitar?
Uma onda de formigamento percorreu-lhe o corpo.
E então, nada mais.
— Sistema, onde está meu supergene? — bradou Zhang Wei, indignado.
— Gene fundido. O anfitrião deve descobrir por si os métodos de ativação — respondeu o sistema.
Zhang Wei sentiu-se profundamente frustrado. Tantos esforços para obter um supergene, e agora não podia sequer ativá-lo.
“Cang Mang de Tian Ya é o meu amor…”
O celular soou de repente. Zhang Wei saiu às pressas do sistema e atendeu.
— Zhang Wei, que horas são? Por que ainda não chegou ao trabalho? — soou a voz masculina.
— Hã… — olhou o relógio: nove e meia, já muito atrasado.
— Eu me atrasei, estou indo agora.
Zhang Wei levantou-se às pressas, lavou o rosto e os dentes, e correu para a delegacia.
Por sorte, o dia fora calmo, e o atraso não era grave; no máximo, uma advertência e uma redação de autoavaliação.
O expediente transcorrera sem sobressaltos: alguns civis à paisana capturaram batedores de carteira, e as chamadas de pequenas ocorrências eram corriqueiras — rotina policial, nada de extraordinário.
Até que, ao entardecer, um chamado chamou-lhe a atenção.
— Alô, é da polícia? Aqui é a Rua do Alto, há um grupo de delinquentes brigando e importunando mulheres! Venham logo!
Rua do Alto — não era ali que Guo Xiaolun e Liu Chuang tiveram sua confusão?
— A trama vai começar… — murmurou Zhang Wei.
— Zhang Wei, o que está esperando? Vamos, todos devem ir — Qilin, prestes a sair, notou Zhang Wei absorto e o chamou.
— Sim, sim, já vou! — respondeu ele, apressando-se atrás dela.
Força Galáctica, Guerreiro Nuo Xing, aguardem-me — pensou, sorrindo de leve.
…
Rua do Alto.
A viatura chegou velozmente ao local, parando à boca do beco.
Zhang Wei, Qilin e outro policial saltaram do carro.
— O que pensam que estão fazendo? — bradou o policial à frente.
— A polícia! — murmurou um dos delinquentes.
Zhang Wei e Qilin sacaram as armas, apontando-as para os bandidos.
— Ninguém se mexa! Venham conosco para a delegacia — ordenou Zhang Wei.
Sob a mira das armas, os delinquentes não ousaram mover um músculo, seguindo obedientemente os policiais.
— Quietos todos! — reforçou o policial líder.
— Senhor policial, eu só defendi uma mulher, não cometi crime algum, certo? — perguntou Guo Xiaolun, timidamente.
— Menos conversa, explique na delegacia.
…