Capítulo Duzentos e Noventa e Oito — No Cume do Pico da Contemplação
Para as audições do novo drama, Gu Yan vivia constantemente entre Hangzhou e Hengdian. Como roteirista, era imprescindível sua presença tanto na seleção inicial quanto na finalíssima do elenco. O êxito da primeira seleção não surpreendera; era esperado.
“Cheers!!” No interior de uma sala privada, de decoração sóbria e elegante, encontrava-se, porém, um grupo de pessoas nada ordinárias.
“Preciso fazer um brinde especial, à nossa mais promissora, antiguidade. Vamos beber!” Cai Mei erguia o copo com destemor, sua voz cheia de entusiasmo.
“Pelo nosso reencontro.” Gu Yan ergueu também sua taça, brindando em gesto contido, antes de sorver o conteúdo de uma só vez.
Ao lado, Li Min observava Gu Yan com ar pensativo. Jamais imaginara que aquela a quem Xiao Mei chamava de “antiguidade” fosse a dramaturga Alisa. A mulher diante dele, apesar do sorriso translúcido, exalava uma frieza altiva e solitária.
“Cai Mei, também brindo a ti. Que os amantes se tornem, enfim, companheiros!” O olhar de Cai Mei vagueou astutamente entre Zheng Yingqi e Gu Yan, antes de sorrir e esvaziar a taça. O banquete de boas-vindas desenrolou-se sem percalços; durante toda a noite, Gu Yan dirigiu a Li Min apenas duas palavras: “Aproveita a sorte.”
Na manhã seguinte, Gu Yan partiu com Cai Mei de volta a Hengdian. Ao despedir-se, prometeu que, desta vez, o papel principal seria de Li Min. Não se podia censurar Gu Yan por seu favoritismo: assim é a realidade. Relações sempre serão o elemento mais decisivo do talento.
De volta à terra natal, Cai Mei escolheu primeiro ir ao hospital.
O quarto estava envolto em silêncio, rompido apenas pelo bip contínuo do monitor cardíaco. Após alguns dias de ausência, Gu Yan achou a menina no leito ainda mais magra. Os lábios de Cai Mei tremiam de tristeza, as lágrimas corriam incessantes.
“Grande Fada... Grande Fada... Chou Mei voltou... Chou Mei não quer mais Li Min, voltou para cá. Gu Yan também, Gu Yan já não quer mais Shen Hong. Por favor, acorda, já faz tantos anos, não deixes Jiang Yunkai te torturar mais, não nos faças perder o respeito por ti. Eu sei que podes ouvir-me. Por favor, acorda... acorda...”
Gu Yan não suportando mais ver Cai Mei desfeita em lágrimas, virou-se, deixando uma lágrima deslizar pelo rosto. O que Gu Yan ignorava era que, no exato instante em que se virou, uma lágrima igualmente silenciosa rolava do canto do olho da jovem no leito.
Por fim, Cai Mei decidiu permanecer no hospital. “Xiao Yan, assim como tu, também tenho um lar ao qual não posso regressar; deixa-me ficar para cuidar da Grande Fada.” De volta ao hotel, Gu Yan adormeceu assim que encontrou o leito. Aqueles dias haviam sido exaustivos, sem um só momento de paz, não era de estranhar seu cansaço extremo.
“Mulher maldita, voltou de Hangzhou e nem veio ver este velho. Sabes o quanto senti tua falta?” Wei Hao entrou falando alto, mas ao chegar ao quarto e ver Gu Yan dormindo profundamente, sua voz perdeu o ímpeto. “Deixa pra lá, vou te perdoar dessa vez.” E, dizendo isso, acariciou-lhe o rosto com delicadeza.
“Pai... mãe...” Uma lágrima escorreu do canto do olho da mulher.
Sentado à beira da cama, Wei Hao sentiu o coração apertar como se golpeado. Conhecera Gu Yan em sua versão selvagem e intransigente, brilhante e talentosa, fria e orgulhosa, já a vira chorar aos brados — mas jamais a encontrara assim, tão frágil e desamparada. Naquele momento, percebeu que, em três anos de convivência, jamais a compreendera por inteiro. Deveria ter previsto: ao regressar à terra natal de infância, Gu Yan revia amigos, mas não reencontrava os entes mais caros.
Wei Hao sentiu subitamente uma ternura dolorida por aquela mulher alguns anos mais velha que ele, e se perguntou quantas dores e lágrimas ela teria suportado ao longo da vida.
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A parte arrastada da narrativa está prestes a terminar; logo mergulharemos nos momentos mais intensos desta história.